terça-feira, 4 de outubro de 2011

Picolé de coco

Queria um tempo que não mais existe. Quando o tempo passava devagar e o dia era maior que minhas forças. Num tempo que eu já sabia que a vida não era fácil, mas parecia que doía menos. Nessa época o calor já era grande, mas não empatava as brincadeiras. Saudade de ver o mar depois de uma longa viagem, e achar que ali era o infinito. Tempo que agora é mais alegre e colorido, porque hoje o vejo assim, talvez porque hoje o dia parece ser mais cinzento. Talvez, porque lembrei do gosto do picolé de coco, deve ser porque naquele tempo era o meu favorito.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

pobres e felizes de nós



Thaís Gulin e Chico Buarque - Se eu soubesse

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Queria carregar no peito apenas sentimentos que alargam a felicidade.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Lembrei da menina de sorriso grande. Senti uma saudade desconhecida.

domingo, 19 de junho de 2011

Jamais entenderia que às vezes o amor tem raízes tão profundas. Mesmo contrário a felicidade, essas raízes enclausuram e sufocam. Não aceitar que é preciso amar de longe fazia acordar de noite puxando o ar com todas as forças. Havia quem achasse que não era amor. Mas não podia ser diferente, não existia lógica ou loucura que justificasse tamanha ligação.

terça-feira, 7 de junho de 2011

tempo parado

Modificava alguma coisa dentro. Não era triste nem alegre. Já sentiu antes algo semelhante, mas não igual. O tempo antes incomodava, agora tanto fazia, ele não modificava mais nada. Tudo era igual, parado, congelado, estranhamente morno. Como dia que não chove, mas o sol também não sai. Engraçado que nesse dia você sabe que o sol está lá, que é apenas uma nuvem, mas mesmo assim você não consegue perceber sua presença. Igual estava o tempo, passava, mas nada lhe dizia. Espaços em branco. Talvez pareça um quadro contemporâneo, que precise entender os conceitos que se escondem no emaranhado de cores. Mas os olhos não queriam procurar o que estava fora.

domingo, 10 de abril de 2011

É...

Quem disse que seria fácil? Entender daqui os espaços em branco que a distância deixou. Ouvir o que teu olhar me diz. Sentar ao lado do desejo e esperar. Dançar na frente do espelho e te projetar. Correr para que o dia chegue e congelar o que já veio. Calar os vazios, as lágrimas, o silêncio... Sossegar e acreditar. Que tudo isso é para nós, pois somos fortes. Difícil é não querer sentir tudo isso mais uma vez. Difícil é não sentir que é bem mais forte...

quinta-feira, 24 de março de 2011

O Amor

Sobrevive

VIVE

Sobre

Sob

quinta-feira, 17 de março de 2011

Dúvida

Pra que tanta sensibilidade e não ser leve? Pra que tanto coração se não ter espaço? Pra que tantas lagrimas se não enche um rio? Pra que tantas perguntas se não há respostas? Pra que tanta madrugada? Pra que tantos eus? Pra que tanto tu em mim? Pra que tanto amor se dói? Pra que tanta força se é abstrato? Pra que tantas curvas em linha reta? Pra que tanto calor? Pra que tantos sonhos e pouca vida? Pra que dormir se tem que acordar? Pra que tanto planeta se o destruímos? Pra que tantos caminhos e poucas partidas? Pra que? Pra que? Pra que saber?

terça-feira, 15 de março de 2011

Cachos avelã

Uma alegria boba, involuntária, despretensiosa. Um sorriso discreto no rosto. Um olhar distante. Uma cor amarela entrava pela brechinha da janela, poeirinhas dançavam.

Só havia silêncio, os joelhos quase se encostavam. No canto do quarto, sentada na almofada ela lia. Às vezes o olhar distante e a feição alegre interrompiam a leitura, ou não! Talvez as pausas fossem mergulhos.

Aquela imagem dela feliz, sentada no canto do quarto, uma luz amarela a atravessar seus cabelos, me prendeu por minutos, ousaria dizer horas, mas seria um grande exagero, não importa, o tempo aqui é menor que as poeirinhas dançarinas. Única coisa que me importa é guardar em meu coração, a menina de pernas longas, de sorriso tímido e de cachos avelã.

Ciranda amor

Foi ciranda?

Foi!

Foi de ciranda?

De ciranda foi!

Foi, foi, foi

Atrás da ciranda que meu amor foi

Foi, foi, foi

Foi amor de ciranda?

Foi!

Foi, foi, foi

Roda ciranda, roda ciranda, roda...

Roda menina,

Na ciranda

Rodar na ciranda que se foi

Foi, foi, foi

Foi a ciranda que se foi

Foi, foi, foi

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Possível

Não foi o sonho que levou Ícaro ao chão.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

O menino azul

As palavras me enviaram até uma imagem, escura e tensa de um corpo magro. Chamou minha atenção, não pela sua nudez, talvez pelo tom azulado que a luz foi criando ao fundo, talvez pelo corpo dividir o espaço com a escuridão.

O silêncio da foto me era polifônico, e segui as quinze imagens, quase como uma via sacra. – Descreveram Cristo como um corpo magro e sofrido, que caminhou até o calvário/ ressurreição, em Via Crúcis. E seu sofrimento/amor é lembrado pelos cristãos e revivido pelos católicos com catorze estações (na Via Sacra). – Não comparei/comparo o corpo encontrado na imagem com Jesus Cristo. Mas a analogia é uma coincidência existente, percebida agora, após muitas outras palavras e imagens deste corpo.

Antes era uma foto escura e azulada, nua, do silêncio. Mas senti que era muito mais que isso, havia uma agonia gritante, uma dor, não era apenas sofrimento, era uma agonia e dor de existir, de transformação, era um conjunto de “auto” – autoencontro, autodescoberta, autodestruição... – mesmo com o peso que ela parecia ter, para mim aquela imagem me fez sentir leve. As outras imagens anteriores e posteriores da série que ela fazia parte, também me agradaram – partes, divisões, cores, sombras, luzes, desfocalizações... – além da estética, a sensibilidade que ali estava registrada/ transformada, fez-me sentir felicidade. Senti-me ainda mais atraída, não foi o corpo, mas, tudo que ali habitava e eu ainda não conhecia, apenas sentia que era bom.

Hoje, esse mesmo corpo, não tão magro, não tão escuro, não tão tenso, continua a chamar a minha atenção. As suas palavras continuam a construir imagens, nuas, puras, azuis, amarelas – multicoloridas. Seu silêncio é polifônico, às vezes música. Não há uma Via Crúcis, cresce um jardim. Sinto ainda sua agonia de existir, pois ele pulsa e é sensível a isso. Os “autos” são muitos. O peso, nunca existiu, tudo flui. Tudo que era desconhecido me atraiu, agora é tão mais bonito. Tudo que ainda não conheço continuo a sentir que é bom.

Antes o que era medo de amar, hoje é amor.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

10.01.11

No caderninho florido, tentei congelar o dia, guardá-lo em palavras. Pensei numas logo que acordei, mas as deixei passar. Andando na esteira, a minha frente dançavam frases, versos, músicas e letras, pedi pra aguardarem um pouco mais, mas quem controla a felicidade? E o dia foi todo assim, um desfile. Consegui escrever felicidade e feliz, várias vezes, porque, felizmente, essas duas palavras decidiram aguardar, dentro de mim, todo dia 10. Aproveito a companhia delas e me alegro todos os dias. Floreio-me para esperar o dia 10 chegar, e ele tem sido assim, feliz e deixado a felicidade tomar conta de mim, do jardim, do depois, da caixinha azul, das fitas amarelas, dos livros nas estantes... e de tudo que vai acumulando ao longo de cada dia 10. Ou melhor, de cada dia, dos dias 10, 11, 12, 23, 24, 29 e os demais ímpares e pares do calendário.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

2010/2011


Primeira postagem do ano, visual novo do blog, ano novo, enfim super sugestivo e convidativo.

Quero dizer tchau a 2010, ainda nem sinto que se foi. Agradecer por ter sido um ano bem vivido, cheio de mudanças, trabalhos, conquistas, tristezas, sorrisos, lugares, pessoas, trocas, investimentos, perdas, sonhos, imagens, cheiros, pão de queijo, acarajé, chocolate quente, idas, voltas, reviravoltas, encontros, desencontros, literatura, músicas, viagens, cantinhos, amigos, família e um alguém (um depois, bem presente). Acho que por 2010 ter sido assim tão movimentado (gosto assim), ainda não consegui fechar e colocar na prateleira, não que 2011 não tenha começado, mas sabe né, até carnaval tudo anda bem lento..hehhehe.

Pois bem, 2011 chegou, e agora?Apesar de ser uma tradição, fazer listinhas do que deseja pro ano que se inicia, ainda não parei pra fazer a minha, talvez esteja entrando numa fase de me cobrar menos, viver mais, aceitar e transformar o que me aparece, talvez não seja nada disso. Acho que realmente não tem nada haver com grandes transformações, por mais que realmente esteja num momento de transformação/formação. De todo jeito, o papo curto que acabo de ter com Mari Leal, me despertou pra 2011 e também essa coisa de mudar o visual do blog, meio que me animou pra um novo ano.

Enfim, desejo um ano bemmmm movimentado pra mim, cheio de coisas pra fazer, pensar, ler, refletir, estudar... caminhos - encontrar e percorrer - , aeroportos pra desembarcar e encontrar - especialmente SSA.

Desejo aos demais uma no lindo, cheio de poesia e encantamentos (esse desejo eu também vou querer).


Nunca posto fotos, mas essa é muito especial, representa bem meu 2010 e o meu desejo pra 2011.