domingo, 10 de abril de 2011

É...

Quem disse que seria fácil? Entender daqui os espaços em branco que a distância deixou. Ouvir o que teu olhar me diz. Sentar ao lado do desejo e esperar. Dançar na frente do espelho e te projetar. Correr para que o dia chegue e congelar o que já veio. Calar os vazios, as lágrimas, o silêncio... Sossegar e acreditar. Que tudo isso é para nós, pois somos fortes. Difícil é não querer sentir tudo isso mais uma vez. Difícil é não sentir que é bem mais forte...

quinta-feira, 24 de março de 2011

O Amor

Sobrevive

VIVE

Sobre

Sob

quinta-feira, 17 de março de 2011

Dúvida

Pra que tanta sensibilidade e não ser leve? Pra que tanto coração se não ter espaço? Pra que tantas lagrimas se não enche um rio? Pra que tantas perguntas se não há respostas? Pra que tanta madrugada? Pra que tantos eus? Pra que tanto tu em mim? Pra que tanto amor se dói? Pra que tanta força se é abstrato? Pra que tantas curvas em linha reta? Pra que tanto calor? Pra que tantos sonhos e pouca vida? Pra que dormir se tem que acordar? Pra que tanto planeta se o destruímos? Pra que tantos caminhos e poucas partidas? Pra que? Pra que? Pra que saber?

terça-feira, 15 de março de 2011

Cachos avelã

Uma alegria boba, involuntária, despretensiosa. Um sorriso discreto no rosto. Um olhar distante. Uma cor amarela entrava pela brechinha da janela, poeirinhas dançavam.

Só havia silêncio, os joelhos quase se encostavam. No canto do quarto, sentada na almofada ela lia. Às vezes o olhar distante e a feição alegre interrompiam a leitura, ou não! Talvez as pausas fossem mergulhos.

Aquela imagem dela feliz, sentada no canto do quarto, uma luz amarela a atravessar seus cabelos, me prendeu por minutos, ousaria dizer horas, mas seria um grande exagero, não importa, o tempo aqui é menor que as poeirinhas dançarinas. Única coisa que me importa é guardar em meu coração, a menina de pernas longas, de sorriso tímido e de cachos avelã.

Ciranda amor

Foi ciranda?

Foi!

Foi de ciranda?

De ciranda foi!

Foi, foi, foi

Atrás da ciranda que meu amor foi

Foi, foi, foi

Foi amor de ciranda?

Foi!

Foi, foi, foi

Roda ciranda, roda ciranda, roda...

Roda menina,

Na ciranda

Rodar na ciranda que se foi

Foi, foi, foi

Foi a ciranda que se foi

Foi, foi, foi

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Possível

Não foi o sonho que levou Ícaro ao chão.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

O menino azul

As palavras me enviaram até uma imagem, escura e tensa de um corpo magro. Chamou minha atenção, não pela sua nudez, talvez pelo tom azulado que a luz foi criando ao fundo, talvez pelo corpo dividir o espaço com a escuridão.

O silêncio da foto me era polifônico, e segui as quinze imagens, quase como uma via sacra. – Descreveram Cristo como um corpo magro e sofrido, que caminhou até o calvário/ ressurreição, em Via Crúcis. E seu sofrimento/amor é lembrado pelos cristãos e revivido pelos católicos com catorze estações (na Via Sacra). – Não comparei/comparo o corpo encontrado na imagem com Jesus Cristo. Mas a analogia é uma coincidência existente, percebida agora, após muitas outras palavras e imagens deste corpo.

Antes era uma foto escura e azulada, nua, do silêncio. Mas senti que era muito mais que isso, havia uma agonia gritante, uma dor, não era apenas sofrimento, era uma agonia e dor de existir, de transformação, era um conjunto de “auto” – autoencontro, autodescoberta, autodestruição... – mesmo com o peso que ela parecia ter, para mim aquela imagem me fez sentir leve. As outras imagens anteriores e posteriores da série que ela fazia parte, também me agradaram – partes, divisões, cores, sombras, luzes, desfocalizações... – além da estética, a sensibilidade que ali estava registrada/ transformada, fez-me sentir felicidade. Senti-me ainda mais atraída, não foi o corpo, mas, tudo que ali habitava e eu ainda não conhecia, apenas sentia que era bom.

Hoje, esse mesmo corpo, não tão magro, não tão escuro, não tão tenso, continua a chamar a minha atenção. As suas palavras continuam a construir imagens, nuas, puras, azuis, amarelas – multicoloridas. Seu silêncio é polifônico, às vezes música. Não há uma Via Crúcis, cresce um jardim. Sinto ainda sua agonia de existir, pois ele pulsa e é sensível a isso. Os “autos” são muitos. O peso, nunca existiu, tudo flui. Tudo que era desconhecido me atraiu, agora é tão mais bonito. Tudo que ainda não conheço continuo a sentir que é bom.

Antes o que era medo de amar, hoje é amor.